A Cidade do Futuro

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por Lucas Salgado

Após realizarem o premiado Depois da Chuva, os diretores Cláudio Marques e Marília Hughes voltaram a se juntar para um novo projeto cinematográfico: A Cidade do Futuro.

A Cidade do Futuro – PosterO filme conta a história de três jovens em uma pequena comunidade no interior da Bahia. Eles vivem uma relação de companheirismo inusitada e malvista na região. São dois garotos, gays, e uma menina, que carrega o filho de um deles. A intenção do trio é que todos cuidem da criança, numa visão familiar moderna e sem preconceitos.

Trio forma família em A cidade do futuro - Imagem: Divulgação
Trio forma família em A cidade do futuro – Imagem: Divulgação

O problema é que o cenário não é nada moderno, mas bastante conservador. E eles serão vítimas de intolerância por boa parte da comunidade local, inclusive de suas famílias.

Marques e Hughes conseguem, como no filme anterior, trabalhar bem com os jovens e cativar o espectador diante de sua sutileza e dos desafios da juventude moderna e inquieta. A dupla, no entanto, falha ao inserir o filme em uma séries de conjunturas políticas e sociais que dizem respeito à região, mas não aos personagens em si.

A obra possui momentos quase documentais, com depoimentos de pessoas que foram deslocadas para aquela área após serem desapropriadas para a construção da Hidrelétrica de Sobradinho, durante o governo militar. O tema é interessante, mas completamente deslocado da ação principal.

Mila Suzarte, Gilmar Araújo e Igor Santos formam o elenco principal. Estreantes, eles se mostram desconfortáveis no início, especialmente Igor, mas vão melhorando ao longo do filme. Ao contrário de Depois da Chuva, A Cidade do Futuro já entrega tudo mastigadinho para seu público. Não há muito espaço para interpretações e alegorias, como fica claro na fala final, que é uma derivação de um outro diálogo no início da obra.

A trilha sonora é um dos destaques da produção, gerando inclusive belas sequências no filme. Por sinal, será difícil deixar a sessão sem ficar com “Jeito Carinhoso” por um bom tempo na cabeça.

Inconstante e com problemas de ritmo, A Cidade do Futuro tem o principal mérito ao propor uma relação moderna em um cenário constrangedor. Especialmente num momento político brasileiro em que o diferente muitas vezes é vítima de intolerância e segregação. Fica o sonho de não apenas uma cidade, mas um país do futuro.

Filme visto durante a cobertura do 5º Olhar de Cinema de Curitiba, em junho de 2016.

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