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A Exuberância cultural que vem do norte

A Exuberância cultural que vem do norte

A Exuberância Cultural Que Vem Do Norte – Recorte dos projetos da região selecionados pelo projeto Rumos Itaú Cultural revela diversidade em diferentes áreas de expressão

Por Karina Matias[1]

A produção cultural do Norte brasileiro sempre foi, e continua sendo, muito diversa. Mas há alguns pontos que unem os artistas que se propõem a pensar e fazer cultura na região: a vontade de criar projetos e propor debates que integrem as tradições, que contextualizem o agora, que fomentem pesquisas e que apresentem soluções criativas para que mais pessoas possam ter acesso à arte.

Um pequeno, mas significativo, retrato das iniciativas espalhadas pela região é o grupo composto de seis projetos selecionados na última edição do Rumos, programa do Itaú Cultural que apoia o desenvolvimento artístico e intelectual no país. São eles: Residência Artística em Arraias (TO), curso de formação para o teatro de rua; o festival de música Mutum (TO); o espetáculo teatral Inservíveis ou da Inutilidade das Coisas deste Mundo e de Outros, da Cia do Ouriço (AC); um aplicativo para apresentar o Patrimônio Azulejar de Belém (PA); e Precisa-se do Presente, performance da paraense Berna Reale (PA); além dos projetos do Casarão de Ideias (AM), entre eles a revista Ideias Editadas.

Com o apoio do Rumos, esses grupos poderão encontrar ou manter espaços para apresentar seus trabalhos, ampliar o alcance da história local, apresentar a rica tradição nortista, trocar conhecimento e, principalmente, destacar o potencial da região. “Para promover a valorização da produção cultural local, é preciso mais encontros, mais troca de tecnologias, mais pesquisa”, destaca Edson Natale, gerente de música do Itaú Cultural e integrante da comissão julgadora do Rumos.

 

A importância da cultura do Norte

Natale sabe quanto é positiva a contribuição dos estados do Norte para a entidade cultural brasileira. Logo quando começou a se apaixonar por música, encantou-se com a obra do acriano João Donato e com a do paraense Sebastião Tapajós. Depois, conheceu Nego Nelson, Mestre Verequete e Eliakin Rufino, entre outros representantes da música da região. Para ele, apesar dos problemas que os artistas enfrentam – seja por questões econômicas e históricas, seja pelo isolamento da região em relação aos grandes centros urbanos do país –, a produção cultural local precisa ser reconhecida por meio de suas exuberâncias, e não de suas dificuldades. Tanto que a avaliação dos projetos do Rumos tem como base as potencialidades dos grupos. “Dessa forma, enriquecemos as soluções e o debate para refletirmos a respeito de como superar os problemas.”

 

Conheça melhor os projetos

 

Casarão de Ideias

Espaço no centro histórico de Manaus (AM), idealizado pelo ator João Fernandes, o Casarão de Ideias nasceu para ser sede da Cia. de Ideias, mas logo se tornou ponto de diversas atividades culturais. Além de exibir filmes, realizar oficinas, ensaios, exposições e espetáculos e de manter um acervo com 4 mil livros, o espaço promove o festival de dança Mova-se, o projeto Cênicas Autorais, que discute a produção e a distribuição literária, Lugares que o Dia Não Me Deixa Ver, com intervenções em locais históricos abandonados de Manaus, e a revista Ideias Editadas.

Lugares que o dia não me deixa ver

Lugares que o dia não me deixa ver

 

Residência Artística em Arraias – Formação para o Teatro de Rua

O projeto nasceu da vontade da produtora cultural Doralice Mota de fomentar a cultura teatral de Arraias (TO), cidade que se destaca por suas manifestações e tradições populares e por seu significativo patrimônio arquitetônico colonial. A proposta prevê a capacitação de 30 artistas da cidade que farão o curso de formação para o teatro de rua com o professor e ator Ronaldo de Araújo, a criação de um espetáculo e a troca de experiências com o grupo Spatium Arte e Cultura.

Tambores do Tocantins

Tambores do Tocantins

 

Mutum – Mostra de Música Instrumental e Culturas Populares do Tocantins

Iniciativa do músico e produtor cultural Diego Britto, Mutum – Mostra de Música Instrumental e Culturas Populares do Tocantins pretende destacar a produção instrumental e as produções tradicionais do estado. A ideia surgiu quando Britto se mudou para Taquaruçu, cidade conhecida por seus festejos. O evento será realizado em 2015 e contará com espetáculos de música instrumental e de grupos regionais, além de oficinas e atividades que envolverão também outras áreas artísticas, como mostras cinematográficas, de artesanato e fotografia.

Paraíba dos 8 baixos é um dos protagonistas do MUTUM. Ele é sanfoneiro, cantor e compositor.

Paraíba dos 8 baixos é um dos protagonistas do MUTUM. Ele é sanfoneiro, cantor e compositor.

 

Patrimônio Azulejar de Belém

O Patrimônio Azulejar de Belém (PA) conta com peças dos séculos XVIII, XIX e XX, desde os períodos barroco, neoclássico, artnouveau, artdéco e do modernismo até acervos contemporâneos. Como os azulejos estão em igrejas, palácios e residências, muitas vezes passam despercebidos pelo público. Para ampliar o alcance desse acervo, que possibilita narrativas sobre os modos de vida de cada época, o doutor em computação aplicada Bianchi Serique Meiguins e a doutora em arquitetura e patrimônio Mariana Sampaio darão início, neste mês de outubro, ao desenvolvimento de um aplicativo que poderá ser baixado gratuitamente em qualquer dispositivo móvel.

Detalhe do Palacete do Pinho

Detalhe do Palacete do Pinho

 

Precisa-se do Presente

A artista Berna Reale tem se destacado em suas performances pela crueza com que trata temas como poder, exploração do trabalho, violência contra a mulher, problemas raciais e sociais. Em sua trajetória, ela cria mecanismos para falar de questões universais em Belém (PA). Agora, ampliará suas performances aos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com a participação da curadora Júlia Lima. Além disso, Berna fará fotografias nesses países e depois produzirá montagens com imagens criadas em Belém.

Performance de Berna Reale

Performance de Berna Reale

 

Inservíveis ou da Inutilidade das Coisas deste Mundo e de Outros

As histórias vividas onde hoje é a Usina de Arte João Donato, em Rio Branco (AC) – desde sua época como usina de beneficiamento de castanhas, passando pelo período em que foi um depósito de bens inservíveis, até sua transformação em espaço cultural –, são contadas na peça Inservíveis ou da Inutilidade das Coisas deste Mundo e de Outros, da Cia do Ouriço. O espetáculo será apresentado em São Paulo em julho de 2015, com o apoio do Rumos. Após a temporada paulista, a trupe fará encontros de capacitação com os coletivos Grupo XIX e Os Fofos Encenam. Por fim, a companhia voltará para o Acre para realizar oficinas com artistas locais.

Espetáculo Inservíveis

Espetáculo Inservíveis Foto : Val Fernandes-Fundação de Cultural Elias Mansour

 

Sobre o Rumos

O programa Rumos Itaú Cultural é uma marca importante da atuação do instituto no cenário nacional. Reformulado em 2013, para apontar novos horizontes em relação aos programas de fomento de arte e cultura, o Rumos apostou na criação sem amarras e revolucionou ao não definir área de expressão, formato, tamanho e duração e ao abrir mão do uso de marcas ou outras contrapartidas.

O resultado foi uma grande adesão – mais de 15 mil projetos – e a atenção de diversas instituições e artistas, inclusive o Ministério da Cultura (MinC), que, por meio da ministra Marta Suplicy, procurou o instituto para compartilhar dessa experiência. Em 2014, o programa anunciou os selecionados – 104 –, e as atividades do instituto se apropriaram da experiência, convertendo em programação e outras ações os resultados recebidos.

CET Paraiso Espetaculo A Caixa,

CET Paraiso Espetaculo A Caixa,
Foto : Adilvan Nogueira

[1]Karina Matias é jornalista e, pela agência Lema, está produzindo uma série de matérias sobre os projetos selecionados pelo programa Rumos Itaú Cultural 2013-2014

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