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APLAUSOS: O balé guaíra convida!

APLAUSOS: O balé guaíra convida!

Por Dyego Monnzaho

O que acontece quando uma das mais renomadas cias. de dança do país resolve convidar outras seis cias. para um projeto ousado de intercâmbio e difusão artística? Essa resposta é o resultado do projeto Balé Guaíra e Cias., uma ação inédita criado nas últimas décadas que propõe um arrojado encontro entre cias. públicas do país, realizando um sistema rotativo de intercâmbio e residência.

O PROJETO

Integrando as atividades em comemoração aos 45 anos de trabalho continuado, o Balé Teatro Guaíra, cia. de dança estatal de Curitiba, promove o inteligente projeto “Balé Teatro Guaíra e Cias.” uma ação oxigenada e provocativa que pretende criar conexões e redes entre seis cias. públicas do Brasil.

Encontrando um desenho geográfico que contemplasse todas as regiões do país, o Guaíra convidou para participar deste projeto o Balé Teatro Castro Alves (Bahia), a Cia de Dança Palácio das Artes (Minas Gerais), a Companhia de Ballet da Cidade de Niterói (Rio de Janeiro), o Balé da Cidade de São Paulo (São Paulo), o G2 Cia. de Dança (Paraná) e o Corpo de Dança do Amazonas (Amazonas).

APLAUSOS: O balé guaíra convida!

APLAUSOS: O balé guaíra convida!

Através deste projeto, a intenção é colocar em contato direto e profundo cias. públicas do país, a fim de entender suas realidades, dinâmicas, sistemas, metodologias e alternativas de sobrevivência, afinal, todas passam por uma realidade parecida, com dificuldades aproximadas. O objetivo é compartilhar pensamentos e experiências através de uma série de atividades que se formatam como um projeto de residência dilatado.

Dividido em 2 etapas, o projeto prevê a realização de oficinas, mesas de discussão, apresentações de espetáculos, troca de experiências, entre outras abordagens. O Balé Teatro Guaíra será o grande articulador dessa rede.

Etapa 01: Visita do Balé Teatro Guaíra a todas as sedes das cias. Convidadas, para realização de espetáculos, oficinas e vivências.

Etapa 02: Todas as cias. convidadas vão à Curitiba para residência e compartilhamento de trabalhos, com apresentações de espetáculos, oficinas, mesas de discussão e vivências.

O projeto é uma iniciativa do premiadíssimo Balé Teatro Guaíra e conta com o patrocínio das seguintes instituições: BNDES, Volvo e Sanepar, através de Lei Rouanet de incentivo à cultura.

A Sagração da Primavera Claudio de Orte

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CDA – CORPO DE DANÇA DO AMAZONAS EM CURITIBA

Entrando em uma nova etapa de trabalho, onde Monique Andrade assume a direção artística do Balé Experimental, encontramos apenas Getúlio Lima como diretor artístico da Cia. O Corpo de Dança do Amazonas propõe diversas modificações de pensamentos, conduta, metodologias e abordagens. Nessa nova fase, o CDA tenta encontrar outros territórios que possam influenciar seus processos, atitudes e trabalhos. Novas ações serão incorporadas, entre elas a absorção de bailarinos e professores convidados, como é o caso de Wallace Jones, que retorna à Cia. depois de alguns anos dançando na Europa.

Esse é um momento onde o CDA já entende as ações de intercâmbio como fundamentais para o amadurecimento da Cia. Portanto, o projeto do Balé Guaíra acontece em momento oportuno para dilatar essas abordagens de troca e vivências compartilhadas.

Para o encontro em Curitiba/PR, o CDA propõe a apresentação do espetáculo “Sagração da Primavera” com coreografia de Adriana Góes e André Duarte (ambos do elenco da Cia), dois trabalhos curtos criados para espaços alternativos, com coreografia dos bailarinos André Duarte e Oswaldo Malaquias e também uma oficina de dança contemporânea com o professor e bailarino da cia. André Duarte.

Para o CDA essa é uma oportunidade singular de entrar em contato com as outras cias. públicas de forma mais efetiva. Apesar de já terem, em alguma esfera, dialogado com algumas das cias. envolvidas, essa será uma ação compartilhada de forma mais intensa e provocativa. Segundo Getúlio Lima, o CDA encontra-se muito animado com a oportunidade de intercâmbio e extremamente honrado pelo convite.

 

BALÉ TEATRO GUAÍRA EM MANAUS

Com expectativas crescentes e positivas, o Guaíra pretende habitar o território amazônico com a intenção de provocar um diálogo intenso entre as cias. envolvidas e, sobretudo, colocar em contato metodologias de trabalhos e provocações para possíveis reverberações dentro da rotina e dos pensamentos em dança do CDA.

Em Manaus, o Balé Guaíra realizará oficinas e troca de experiências na sala de trabalho do Corpo de Dança do Amazonas (CDA) e no dia primeiro de outubro dividirá o palco com o CDA. Nesta noite compartilhada, no Teatro Amazonas, o Guaíra apresenta o trabalho “Predicativo do Sujeito” e o CDA apresenta o espetáculo “Vazante”, de Mário Nascimento.

Para Jorge Schneider, diretor de produção do projeto, esse encontro pode ser uma oportunidade para criação de um circuito anual de intercâmbio entre as cias., para que juntas possam se ajudar no desenvolvimento de suas rotinas e de suas metodologias de trabalho, bem como na captação de recursos.

 

IMPRESSÕES

Acredito muito nesta ideia e percebo a potência que ela pode ser para as cias. envolvidas, pensando a curto, médio e longo prazo. Vejo este projeto como um agente que pode oxigenar a rotina das cias. públicas, tirando-as do seu “mundo paralelo” e dos isolamentos territoriais/políticos. Essa ideia extremamente singular e inteligente pode colocar as cias. em contato com diferentes realidades e contextos, dessa vez, não só envolve os diretores, como realmente entende a estrutura de uma cia. de forma coletiva, pensando não só no indivíduo, mas no grupo.

O projeto segue uma tendência contemporânea inteligente que busca colocar em contato coletivos de arte a fim de compartilhar ideias e criar redes. Na cena independente do país, essa prática já é bastante comum, e posso aqui citar exemplos claros com resultados positivos e reverberações maduras, como foi o encontro da Lia Rodrigues Cia. de Dança (RJ) com o Grupo Cena 11 (SC), ou o Grupo Espanca! (MG) com o grupo XIX (SP), ou mesmo o Grupo Magiluth (PE) com o Teatro do Concreto (DF). Enfim, posso localizar várias colaborações na cena independente que afirmam essa prática comum e extremamente eficiente para criação de redes.

Agora, para que este encontro possa render ramificações, provocando uma outra ecologia que visa interferir nas frequências e equalizações das cias. envolvidas, é necessário que a oportunidade não se torne um encontro de vaidades, e que realmente sejam lançadas questões efetivas de contato e troca, oportunizando assim, uma melhor integração entre as partes, e não só uma mera exposição de produtos.

A Sagração da Primavera Claudio de Orte

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