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‘Complexo de gaivota’ reúne metalinguagem, humor e ironia

‘Complexo de gaivota’ reúne metalinguagem, humor e ironia

Um diretor e dramaturgo em crise, Trepliev, decide mudar o rumo da sua carreira ao embarcar na produção de um musical contemporâneo chamado “Elefantes Verdes”. Para o elenco, ele recruta a própria mãe, Arkádina, uma “diva-dinossauro” do teatro, e a jovem atriz Nina. Porém, a trupe cai em desgraça depois que o espetáculo é malhado pelos “jurados de Facebook” e críticos do Sul e Sudeste. De repente, vem o insight: para ser quem ele tanto deseja se tornar, Trepliev precisa voltar às suas origens indígenas e passar a expressar sua “identidade nortista”.

‘Complexo de gaivota’ reúne metalinguagem, humor e ironia

‘Complexo de gaivota’ reúne metalinguagem, humor e ironia

Com boas doses de metalinguagem, humor e ironia, a peça “Complexo de gaivota” contará essa história a partir desta sexta-feira, quando fará sua estreia no Ateliê 23 (rua Tapajós, 166, Centro), às 20h. O projeto foi contemplado com o Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2015 e ficará em cartaz no espaço sempre às sextas, com ingressos a R$ 15 (meia). No elenco estão Tainá Lima, Heitor Loris e Thais Vasconcelos, que também assina a dramaturgia. A direção é de Taciano Soares.

Thais explica que “Complexo de gaivota” foi originalmente montada como seu trabalho de conclusão do curso de Teatro na UEA: “Ela ganhou asinhas e saiu da academia”. Em parte, o texto é livremente inspirado na peça “A gaivota”, escrita pelo dramaturgo russo Anton Tchekhov no século 19. Mas outras obras também influenciaram a autora, como clássicos do cinema (“Bonequinha de Luxo”, “Beleza Americana” e “Psicose”) e do próprio teatro (“Um bonde chamado desejo”, “Roberto Zucco” e Shakespeare).

Segundo Thais, desde a primeira versão – apresentada em março de 2015 e dirigida por ela – a peça saltou de um drama cômico para uma tragicomédia escrachada. “É tragédia porque tira sarro do nosso próprio trabalho enquanto artistas de teatro, e comédia porque isso é feito com bastante irreverência e apoiado por personagens caricaturais”.

No palco e no jogo entre os atores, o público vai (re)conhecer questões sensíveis na vida de muitos artistas, como o anseio por uma carreira de sucesso, o medo do fracasso iminente e a discussão sobre o fazer artístico em uma cidade geograficamente afastada, no caso de Manaus, dos grandes eixos culturais.

Metalinguagem

O diretor Taciano Soares estava entre o público que assistiu à primeira montagem de “Complexo de gaivota” na defesa do TCC de Thais. Quando foi convidado a dar uma outra direção ao trabalho, ele diz ter se sentido à vontade de recomeçar do zero, apesar de não ter a intenção de desvincular totalmente as duas versões. “Feito isso, a gente passeou pelo texto adaptado, mas em momento algum nos ativemos a ele, pelo contrário, ‘destruímos’ o texto”.

Segundo ele, hoje a peça é livremente inspirada em Tchekhov, mas apenas no que diz respeito às crises da construção artística e do desenvolvimento pessoal do artista diante de tantas possibilidades da cena. “A gente colocou muitos dos nossos dilemas em cena, nossas confusões… O próprio processo de criação da peça está metarreferenciado”, completa Taciano.

Para o diretor, ao abordar esses temas, “Complexo de gaivota” trata de uma certa falência do fazer teatral, em especial em Manaus. “Eu vejo essa falência na sobreposição do ego, no abandono da pesquisa na arte, na supervalorização da mídia de maneira negativa e massiva, no desrespeito às identidades e na droga da colonização que nunca nos abandona”.

Estreia da peça “Complexo de gaivota”

Sexta-feira, dia 15 de abril, às 20h

Local: Ateliê 23, Rua Tapajós, 166, Centro

Quanto: R$ 15 (meia válida para estudantes e artistas)

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