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Dramaturgia Cênica

Dramaturgia Cênica
Denni Sales
O processo de construção da funcionalidade do texto para encenação é um caminho que percorre vários outros caminhos necessários e desnecessários para a construção da cena e a função de seus elementos. 
Nesse caminho é interessante destacar o desapego de muitos encenadores ao texto e atenção focada na encenação, como prioridade máxima, negando até mesmo quando necessário as imposições de certas dramaturgias que numa visão mais cênica poderiam de repente não ter a mesma relevância que possuem enquanto literatura.
Um ponto importante de ser destacado nesse processo é exatamente o limite entre o que é uma dramaturgia que funciona enquanto literatura apenas e o que é uma dramaturgia que funciona enquanto montagem cênica, por outro lado, há exemplos de textos que quando encenados ganham proporções gigantescas, e no entanto, enquanto leitura não são tão interessantes e há exemplos também de textos brilhantes porém quando levados a cena não atingem uma proporção tão interessante.
Apesar de o primeiro passo, e talvez o mais óbvio, seja responsabilizar a direção é bom abrir os olhos também para o que a dramaturgia propõe, atire a primeira pedra quem nunca assistiu um espetáculo com encenação deslumbrante e dramaturgia brochante, e vice e versa.
A relação entre texto, encenação, autor e encenador é sempre muito delicada visto que em muitos casos as perspectivas diferem e provocam rupturas que talvez possam contribuir para a obra, mas em muitos casos, contribuem apenas para uma deliciosa “guerra artística” e a imaturidade vem justamente como conseqüência do apego desmedido a própria obra, e todo autor precisa entender da importância de que ela funcione além do papel para que não seja só mais uma leitura dramática com viés de espetáculo.
Essa visão romântica do texto que muitos autores conservam não contribui para o todo de um espetáculo, pois está diretamente ligada ao que funciona no papel e na imaginação, a vida das palavras no palco funciona de uma outra forma e passa pelas mãos do ator, encenador e platéia.
A quebra total das regras e respeito a dramaturgia talvez, em muitos casos, seja uma necessidade para o bem maior de um espetáculo, os autores deveriam estar atentos para isso e flexíveis inclusive, a dramaturgia cênica precisa acontecer e em muitos casos ela só acontece quando rompe com seu autor.
Denni Sales é ator, diretor, dramaturgo e performer.

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3 Comentários

  1. Muito bom o texto.Mas acho que a dramaturgia acima de tudo deve ser tratada como literatura, mesmo que certa peça nunca seja apresentada, ela será literaratura. Em alguns casos, como você mesmo diz naquele negócio lá da pedra, é mais proveitoso você ler o texto, do que ver a peça apresentada, o “espetáculo”.
    DSoledade

  2. Denni, concordo com você. A relação entre texto e cena varia no tempo, no espaço, nas escolas e cada processo de montagem requer uma reflexão ampla sobre a questão. Por fim, fico meio aborrecido com esse pensamento que trata o teatro como literatura. Texto dramático deve ser feito para ser visto, falado, encenado e, na minha opinião, esse é o limite que deve salvaguardar o teatro.

  3. Vi alguns espetáculos cuja proposta é clara ao usar a dramaturgia em função da cena e não ao contrário. Apesar da resistência de muitos devido ao respeito e ao fanatismo “dramatúrgico” é bastante claro que os caminhos que podemos percorrer ao modificar essa relação produzem resultados construtivos e mais eficazes!

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