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O corpo híbrido

O corpo híbrido
Francis Madson
O corpo é o principal assunto em debate em algumas ciências, sejam elas a psicologia, a antropologia, a filosofia, sociologia e também as tecnologias. O corpo sagrado, mundano, cárcere da alma, explorado pela medicina pré-moderna e revisado, explorado, revirado pela moderna e suas novas tecnologias é prova irrefutavel do poder do corpo sobre a humanidade. Embora esses conceitos sejam amplos e produzam efeitos significativos sobre o corpo, são nas novas tecnologias do século XX e XXI que o corpo se coloca em estado terminal. Adeus ao Corpo de David Le Breton [1] expõe paulatinamente aspectos importantes que influênciaram e modificaram consideralmente os aspectos psquico-físicos desse corpo e criaram subsidios importantes para pensar o corpo híbrido do século XXI.
O corpo de Breton é colocado à medida dos seus contextos politicos, sociais e culturais. Bem, por si só, já nos permite abordagens significantes a partir das ciências mencionadas acima para promover algumas abordagens para envolver o corpo e, assim, dobrar e desdobrar os conceitos desse antropólogo sobre o corpo. Porém, coloco em questão para análise, a criação de ferramentas – tecnicas – ligadas ou não as interfaces da hipermídia que consolidam uma “ecologia de coodernação” das faculdades simples do corpo. Isso, naturalmente, perpassa pela construção do conceito do corpo moderno e pós-moderno. As emoções, os sentimentos, as doênças, os prazeres, os transtornos, o sono, a saúde e a alegria são determinadas por uma ordem de projeção do corpo sob uma industria farmacológica. Os remedios, os inibidores, os estimuladores sexuais, os diéteticos, os diureticos e antidepressivos são ferramentas tecnologicas – sintéticas e biossintéticas – desenvolvidas para obtençao do corpo ideal. No entanto, essa produção é possível através de infiltrações, possibilidades de invasão do corpo sem corte, ultrassonografias computarizadas e nucleares, raios-x e entre outros. A manipulação do corpo ultrapassa a relação entre interno-externo, ou seja, não existe mais essa relação binária sobre os caminhos. Aqui é mencionada apenas um aspecto sobre a manipulação do corpo.
Parece que o corpo está perene. Pode parecer assustador pertencer a unidades tão específicas de manipulação do corpo e não estamos falando das indústrias da imagem como cinema, editoriais de moda, televisao, sites e blogs que evidenciam um padrão de beleza e, isso, promove uma exrcusão, também, de um corpo idealizado. Porém, os abdicativos são mais significantes, porque viabilizam uma natureza de controle totalmente possível e, nessa condição, o corpo cartesiano, unidade total e concreta atualmente tem pouco índice de sobrevivência.
Há pesquisadores nos E.U.A, na Europa Ocidental e na Asia que já vislumbram uma pós-humanidade através de um pós–humano e bancos de dados. As condições que nos caracterizam poderiam ser gravadas em chips – HDs – uma especie de banco de dados formado de sílicio – para no futuro, ser introgenado em um novo corpo – agora – cheio de melhorias – talvez, um biociborgue. Metade carbono, metade silício. [2]
O corpo é reutilizado, revisitado, infectado, contaminado, destruído, construído, redefinido nas mais variantes possibilidades de contatos. Nessa conduta, na dinâmica desses fatores, o que se constroi é uma nova carne e, esse novo tecido, é extremamente hibrido, PORQUE não há mais como medir seus caminhos. Dentro, fora, aqui, lá, ser, nao ser, carbono e silício estão a cada dia imbricando de dialogismos e nossa própria noção de ser, de carne, de corpo e de humano se perde, se acha, se torna híbrida. E, digo mais, se essa conduta de compreensão da carne, do conceito híbrido de corpo, não se tornar pauta de discussões em todos os círculos de conversas – cientificas ou não – poderemos perpassar por esse processo sem compreende-lo. Poucos artistas no Brasil, alguns estudiosos da semiotica, alguns cientistas e filosofos já fazem parte da porcentagem que discutem o conceito de corpo híbrido.
Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramturgo e diretor.
P.S. Feliz 2011. Uma década! No próximo post, colocarei a disposição videos de artístas que se utilizam de novas tecnologias para discussão das suas poéticas.

Notas de Rodapé:
[1] David Le Breton é antropólogo francês. É professor na Universidade de Marc Bloch de Estraburgo. É autor de Corpo e Sociedade e Adeus ao Corpo.
[2] Deixo, em anexo, o site http://www.extropy.org/proactionaryprinciple.htm> que nos ajuda a pensar sobre os conceitos à cerca do pós-humanismo. Há um Instituto de Pesquisa para investigaçao sobre o tema nos Estados Unidos. É um tema que já garante um manancial de informações para debate, mais a priori abordaremos o tema de forma superficial.

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