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O Leitor Imersivo que VOS fala

O Leitor Imersivo que VOS fala
Francis Madson
Aqui, naturalmente, quem VOS fala é um leitor imersivo. Entretanto, antes de começar,  empresto o conceito de Lúcia Sanataella [1]. Segundo a autora, o leitor imersivo é aquele implodido cuja subjetividade se mescla na hipersubjetividade de infinitos textos, num grande caleidoscópio tridimensional, onde cada novo nó e nexo podem conter uma outra grande rede, numa outra dimensão. Enfim, o que se tem ai é um universo novo que parece realizar o sonho ou alucinação borgiana [2] da biblioteca de Babel, uma biblioteca virtual, mas que funciona como promessa eterna de se tornar real a cada “clique” do mouse.
Escrever é uma articulação técnica de palavras e da gramática, na finalidade de produzir sentidos, no intuito de comunicar. Os vetores criados dentro dessa perspectiva ampliam os horizontes à medida que as produções textuais são facilitadas através de técnicas fornecidas por cada contexto cultural. No século XX, porém, essa produção textual é caracterizada também por outra natureza e, essa conduta, está relacionada com o poder de dimensionar e compatibilizar informações em bits, de 0 a 1. Assim, textos, imagens, fórmulas, informações são redimensionados e enviados a nível global; o conhecimento humanao é decodificado em bits, e o seu acesso está ao alcance de uma tela de computador.
As informações e suas tecnologias tornam-se  produção alinear, fragmentária, dinâmica e abundante, porque os meios garantem, facilitam e suportam índices elevados de informação em velocidade absoltamente rápida, via internet.
Nessa revolução da informação através dos suportes hipermidiáticos das redes, surge um novo leitor e, ele, apoiado pelo conceito de Santaella, se estabelece ativamente dentro desse ciberespaço criando suas culturas, suas formas, seus processos e sua dinamicidade. Contudo, essas novas interfaces, vislumbrando-se  a Torre de Babel borgiana, estabelecem novas características cognitvas desse leitor que modificam consideravelmente suas propriedades que atravessam todas as camadas da construção humana.
Por isso, o blog será utilizado para compor uma partícula ativa dentro dessa ecologia planetária com informações sobre o fazer teatral, as fronteiras estéticas e políticas das nossas geografias aos leitores imersivos.
Próximo tema: Ciberespaço
Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramturgo e diretor.
e-mail: filhodolouco_3@hotmail.com
Twitter: @cortexpodre
Notas de Rodapé [do editor]:
[1] Maria Lucia Santaella Braga  é uma pesquisadora brasileira e professora titular da PUC-SP com doutoramento em Teoria Literária na PUC-SP, em 1973, e livre-docência em Ciências da Comunicação na ECA/USP, em 1993. É fundadora do “CS games”, Grupo de Pesquisa em Games e Semiótica da PUC-SP, além de professora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas EESP-FGV, nas áreas de Novas Tecnologias e Novas Gramáticas da Sonoridade, Relações entre o Verbal, Visual e Sonoro na Multimídia e Fundamentos Biocognitivos da Comunicação.

[2] Relativo ao escritor argentino Jorge Luis Borges. O conceito borgiano da biblioteca de Babel aqui referido faz referência ao famigerado conto homônimo do autor “A biblioteca de Babel”. Essa narrativa explica a realidade como uma biblioteca sem fim que abriga uma quantidade também infinita de livros, em sua maioria, inúteis.

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Um Comentário

  1. Achei o texto demais inteligente. Para tal atribuição,a apresentação da leitura do blog e o ciberespaço,o texto foi deveras alimentativo.
    Davi soledade

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