Projeto para Mapeamento da Dança, no País: entre as condições e as potencialidades para a Área | Casarão de Ideias
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Projeto para Mapeamento da Dança, no País: entre as condições e as potencialidades para a Área

Projeto para Mapeamento da Dança, no País: entre as condições e as potencialidades para a Área

Qual a relevância de um projeto de mapeamento para levantar dados sobre uma linguagem artística como a dança, no Brasil?

E quais as razões para apoiar um projeto como este? O projeto de Mapeamento da Dança foi uma conquista do Colegiado Setorial de Dança que é um órgão pertencente ao Conselho Nacional de Política Cultural/CNPC, do Ministério da Cultura

Projeto para Mapeamento da Dança, no País: entre as condições e as potencialidades para a Área

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O colegiado atua desde 2005, quando ainda era denominado de Câmara Setorial e a partir, de 2007 passa a ser integrado ao CNPC. No mandato de 2010-2011, os membros representantes do Colegiado conseguiram aprovar no Comitê de Circo, Dança e Teatro do Fundo Nacional de Cultura, um projeto de Mapeamento para a Dança idealizado para levantar indicadores em todos os municípios brasileiros, porém, em virtude dos recursos que seriam disponibilizados à época, teve de ser delimitado às capitais brasileiras. O projeto deveria estar vinculado por meio de convênio, a uma universidade pública e a escolha pela Universidade Federal da Bahia se deu, também, em virtude de seu histórico de criação do primeiro curso de dança, no País e da criação do primeiro Mestrado em Dança da América Latina, ambos sediados nesta instituição.

Apesar de este projeto ter sido aprovado em 2010, não houve disponibilização de recursos e apenas em 2014, após uma audiência pública com a Ministra Marta Suplicy -onde o mandato atual do Colegiado (2013-2014) solicitou novamente a execução deste Projeto -, é que foram liberados em setembro, o montante de um milhão de reais. De um valor inicial de dois milhões e oitocentos mil reais, este valor de um milhão de reais exigiu que o projeto fosse novamente redimensionado para esta realidade econômica tendo de ser subdividido em três etapas. Nesse sentido, é importante salientar que por razões econômicas, o projeto deverá ser realizado em três etapas para que possa atender as capitais brasileiras.

Para a primeira fase de execução foram selecionadas oito capitais de modo a contemplar todas as Regiões e considerando, ainda, como critério, a existência de cursos de dança nestas capitais, preferencialmente os que estão sediados em universidades públicas; o tempo de existência destes cursos, e, a possibilidade de vínculo a grupos de pesquisa. Um dos objetivos contemplados no projeto e que foram demandados pelo Colegiado foi a possibilidade de se criar uma rede nacional de pesquisadores vinculados a área da dança visando estimular estudantes para a pesquisa e uma articulação entre estes grupos e pesquisadores.

O projeto é coordenado pela Professora Dra. Lúcia Matos, da Universidade Federal da Bahia que vêm se dedicando a elaboração e execução de projetos de mapeamento em algumas cidades deste Estado.

As oito capitais a serem mapeadas nesta primeira fase são: Nordeste: Salvador, Recife e Fortaleza; Norte -Belém; Centro-Oeste: Goiânia; Sul – Curitiba; Sudeste – São Paulo e Rio de Janeiro. O Colegiado Setorial de Dança, por entender que o projeto apenas estará concluído após a execução das três fases contou com o apoio da Funarte para a previsão de recursos já para o ano de 2015 visando que as duas próximas fases sejam executadas simultaneamente. Contudo, como vários outros projetos e planejamento, no País, será necessário manter um acompanhamento firme para que o mapeamento nas capitais seja concluído, na íntegra.

Projeto para Mapeamento da Danca no pais (2)

De todo modo, compreender a importância deste projeto requer uma dimensão e olhar para o futuro próximo, no sentido de visualizar o ineditismo desta iniciativa do Ministério da Cultura e da Fundação Nacional das Artes/Funarte que investe em realizar um diagnóstico preliminar sobre uma linguagem artística, que será a primeira no País, a ter este tipo de informação. Cabendo questionar porque teria alguma importância levantar dados sobre a área da dança; e como a área da dança pode ser fortalecida ao se identificar agentes da dança, ao se caracterizar aspectos relacionados à formação e à produção artística da área.

Um dos aspectos importantes é considerar que uma política pública, para qualquer setor – incluindo o de uma linguagem artística como a dança – requer para ser elaborada, indicadores e dados, que possibilitem definir metas a serem atingidas conforme se implementam diretrizes e ações para este mesmo setor. Outro aspecto, é que para gestores públicos e (ou) privados, e mesmo para os profissionais da área, possuir dados para discutir as demandas e necessidades do setor, é imprescindível no momento de argumentar e reconhecer os caminhos possíveis de atuação. E para conhecer a abrangência e potência social, política e econômica da área.

Sem dúvida, a execução de um projeto piloto como este trará condições e estofo para uma discussão diferenciada sobre esta linguagem artística, não apenas em relação à própria dança e para a elaboração e acompanhamento de seus planos e programas, mas, também, em relação às outras linguagens artísticas. O lugar e dimensão das discussões sobre a dança deverá ser deslocado (re) territorializando nossa compreensão sobre o que produzimos e sobre o que podemos alcançar como área artística e de conhecimento.

Importante ressalvar que a expectativa é que a Dança, ao longo do tempo, conquiste um mapeamento em todos os municípios brasileiros, e isso também poderá ser ativado por meio de pessoas interessadas que podem articular junto a universidades e (ou) a secretarias e fundações de cultura em seus municípios, uma extensão deste projeto.

A real dimensão do que este projeto poderá significar para a área da dança e seus profissionais e interessados só poderá ser vislumbrada ao longo do tempo. Até lá, todo um processo de execução envolvendo uma rede de pesquisadores e instituições já estará sendo construída do mesmo modo como se acredita que estas experiências estarão motivando e incrementando outras relações, fazeres e entendimentos sobre a dança.

por Marila Velloso

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