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Lugares entre lugares

Escrito por em jan 30, 2011 como Teatro Comentado | 0 comentários

Há sempre um lugar das coisas. Poderia nos parecer FELIZ essa determinação, mas o processo é inverso. A ideia metafórica de estar em algum lugar se transpassou na contemporaneidade. Percebe-se o corpo, o próprio lugar dos objetos e dos sujeitos em algum lugar, entre lugares. O aqui e ali, não são mais direções plausiveis para encontro da subjetividade e da identidade. Exemplo máximo disso é o ciberespaço. Porém, esse processo parece ser apenas de ordem virtual, ou seja, não nos influênciaria no mundo real. Entretanto, a mensuração desse processo é densa e constroe outros olhares sobre o estar do aqui e do alí.

O sujeito é fractal; é perene, é quase obsoleto, segundo Deleuze[1] e Derrida[2]. David Le Breton[3] afirma que cientistas biotecnológicos se consideram DEUSES, ressignificando as figuras emblemáticas e proféticas – neoarautos da fé na contemporaneidade. A contemporaneidade proporciona um ecossistema  em que começo, meio e fim estão caminhando para a hibridização e, as formas de pensar, criar instituições e de eclodir políticas, sejam elas no intuito do “desenvolvimento”, do controle e virgilância já não são eficazes. E os terrenos anteriores da produção do discurso são necrosados.

Analisemos a partir desses argumentos a consolidação de políticas públicas, formação de federações e entidades coletivas atuais. O que sobrevive nesse caos da subjetividade e de eus? Percebe-se que a formação dessas instituições ou das suas ações são indiscutivelmente produção de um visão pessoal de mundo. E os não-lugares de Marc Auge[4]? E a crise de identidade? E o caos do sujeito? E o corpo obsoleto?[vide post anteriores]. Há algumas formas de consolidação desses organismos – instituições e ações – que não sofreram modificações e não estão interessadas em participar dos processos da contemporaneidade. Contemporaneidade que contextualiza em tempo real e dinâmico toda uma produção coletiva de informação e conhecimento.

As políticas públicas de ordem federal, estadual e municipal de teatro e dança [artes em geral] cooperam para uma dinâmica de “mensalidade” e de “cala a boca”. As esferas podem discutir formas de criação de organismos autômonos de consolidação de ferramentas e sistemas para criação e sobrevivência dos artistas brasileiros, mas as medidas tomadas são irrisorias. Vias de acessos são criadas? Quem propõe o que? Para quem? Quantos? Por favor, onde estão?

São Paulo tem um PIB estrastoférico; politicas públicas de teatro e dança são realidades no estado e munipicio, mas nao diferem do sistema entre aspas no começo do paragrafo anterior. Idem Manaus, Minas Gerais, Ceara, Bahia. Idem Rondônia. Desculpe. Lá não existe. Não tem nem Teatro Estadual. São realidades e, naturalmente, confrontos.

A formação de federações não são “lugares” específicos que fogem de alguma forma desses argumentos. Talvez, sejam o lugar do contrário, o da procriação de novos rumos. Mas isso não acontece por uma deselegante situação. O sujeito é levado a desacreditar qualquer obrigação que possa parecer coletiva, organizacional e colaborativa. Assistimos uma politica pública represetada pela produção de festivais, de temporadas e de editais. Uma triade significativa para um lugar, mas cria um encantamento que cega qualquer um artista. Um “senta lá, Claudia” literal. Os entre aspas lá estão e de lá não sairão, porque entendem  o regime federal, nacional e municipal que isso seja politica pública elevada a máxima potência. Mas, digo, que a metástase desse sistema do [“aspas”] já enraizou-se à ordem nanométrica.

Quem são os culpados? As artes, diferente de outros ramos, não se asseguram em um sitema de mercado. Não somos autônomos, viveremos até meados da nossa aponsetadoria  (aos 60 anos para mulheres e 65 anos para homens) com uma previdência pública sendo alimentada por nós. Os 2020, 2030 e 2040 já são datas previstas para o nosso envelhecimento. O envelhecimento do corpo obsoleto! O que isso vai nos arrematar?

Nada temos. Quero dizer, temos, sim. Os coletivos culturais são os organismos mais oxigenados desse processo opressor no qual estamos inseridos em graus e colaturas diversas. Os coletivos, ententendo ou não a crise do sujeito e da sua subjetividade, os lugares não-lugares e os entre lugares, permitem um florescer organizacinal, politico colaborativo e persistente que dialogam com a produção democrática de conhecimento no ciberespaço.

Deixar o sujeito e pensar mais no coletivo.

Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramaturgo e diretor. 

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Corpo de Frankstein no Teatro de Manaus

Escrito por em jan 24, 2011 como Teatro Comentado | 2 comentárioss

Francis Madson
São extensas as linguagens e as técnicas do corpo. Qual arte não é do corpo? É uma pergunta genérica com uma resposta pluralizada. Entretanto, permito abrir uma janela para falar de um corpo como suporte da arte dramática, performática e pós-dramatica. Parece-nos impalpável transgredir os conceitos dessa tríade, mas é valido ser colocado em suspensão. Talvez, o conceito de corpo, a ideia metafórica de concretude do corpo e do hibridismo do corpo sejam remodelados, ressignificados e transmutáveis quando consideramos especificadamente cada linguagem.
O corpo contemporâneo e todos os seus infinitos discursos são organizados na ideia de comunicar QUE o corpo já não é ou nunca foi a estrutura determinada por nós, seja de forma histórica, sociológica, antropológica, filosófica e psicológica. Então, se o corpo deixou de ser essa carne presente, o que acontece com as linguagens que são produzidas indiscutivelmete a patir do corpo? O Teatro é uma arte própria do corpo. Há artistas que propoem através da RV – realidade virtual – e do hiperpalco “performances”, “encenações” onde a presentificação do corpo possui apenas uma importância minizada dentro desse processo inteiro de criação. É um conjunto ressignificante da própria linguagem. As dinâmicas contemporaneas propoem dialogismos e, assim, ampliam-se; as vezes, paulatinamente, eclodem novos territórios. É dentro desse espaço que o corpo atualmente se localiza.
O corpo contemporâneo, nessa crise de sujeito e de identidade, ACABA sendo contaminado pelos recursos de controle do capitalismo, ou seja, pelos sistemas  que manipulam padrões corporais e que reproduzem essa imagem com poder e rapidez. O corpo alojado, extragulado perece; sem identidade, se vê na necessidade latente de se recolocar enquanto estrutura e, naturalmente, assimila as correntes imagéticas produzidas pelos meios para compor um corpo. Parece uma anedota sobre a famosa criatura engendrada pelo Dr. Frankenstein,  personagem homônimo do clássico da literatura universal, escrito pela britânica Mary Shelley.
O corpo na arte dramática tem uma dimensão e especificidades para dar conta dos conceitos próprios e das ramificações escolhidas pelos envolvidos numa criação artísitca. Na performance, o corpo, também, tem outra dimensão e, é claro, idem nas artes pós dramáticas. Assim, o que ocorre como proposta de discussão é se podemos entender que cada linguagem necessita de um corpo com determinada medida para a execução do que está envolvido em um trabalho de arte, seja ele qual for.
Por isso, ao assistir determinado espetáculo, processo, encenação é necessário escutar, abrir um campo de produção de conhecimento além do vivenciado pela encenação para entender as medidas utilizadas para compor a ideia de corpo para sustentar a linguagem envolvida, até mesmo, se o “produto” parecer a figura exótica e exdruxula da criatura de Mary Shelley. 
Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramaturgo e diretor.
 
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A construção de “eus”

Escrito por em jan 14, 2011 como Teatro Comentado | 1 comentário

Francis Madson

“Penso, logo existo”. Esse pensamento cartesiano criou uma barreira significativa para compreensão do homem moderno. Os conceitos de carne e pensamento – sujeito e corpo – ficaram em dois lugares distintos, emoldurados em seus contextos e os retroalimentando. Acreditava-se, ritualizava-se, imaginava-se que o homem – total, unitário e concreto – compunha um célula impenetrável e imutável. O homem determinado por esse pensamento constitui uma ecologia do sujeito ocidental e, há um bom tempo, essas fronteiras são colocadas em estado de latência. Nesse momento há problemas maiores em relação a imutabiliadade do sujeito e ao binarismo – carne e sujeito, carne e pessoa, carne e ser, carne e pensamento – em alguns níveis de compreensao e de construção de informação.

Pensadores como Freud, Marx, Foucault, Derrida, Guatari e Deleuze escreveram largamente sobre o sujeito, sua construção, consolidação e fragmentação. Entretanto, alguns adentraram nesse denso conceito e consolidaram novas abordagens sobre essa construção, talvez, simbólica (outrora, metafórica e irreal) sobre a identidade e eus. Nasce um problema…! A luta demasiada do ser humano de se localizar como sujeito e toda sua identidade foram desterritorializadas a partir de alguns pensamentos envolvendo as especificidades da comunhão e da existência desse ser. Fragmentou-se. O sujeito e sua subjetividade foram colocadas em questionamentos próprios e vigentes, e as novas tecnologias são utilidades fabricantes de novas possibilidades de fuga do ser humano para que não se sinta um coletivo vazio – sem eu, sem sujeito e  sem identidade.
Hoje as novas tecnologias (principalmente as ligadas a informática e ao ciberespaço) nos possibilitam a construção de infovias e de relações interpessoais inimáginaveis. Porém, esse processo aborda algumas características que são importantes para obtenção de um caminho para enteder esse processo fractual da identidade – dos eus -, no contexto atual.
A identidade sofre um colapso. Um desalojamento conceitual e prático. Isso pode assustar consideralmente qualquer leitor, mas ao analisarmos o processo a fundo percebemos esse embate. Os computadores e seus softwares possibilitam a construção de avatares. Lucia Santaelle afirma que o corpo do cibernauta, no ambiente virtual, pode selecionar e incorporar um avatar para se mover em ambientes bi ou tridimensionais, encontrar outros avatares, comunicar-se com eles. Uma resposta ou uma reação aos questionamentos e as problemáticas entorno do sujeito? E as características que compoem sua identidade? No ciberespaço é criado e assumido determinadas “performances” de medidas específicas de acordo com cada processo para compor um avatar e, é através dele, que cada pessoa virtualiza as suas dimensões que determinam seu sujeito e sua identidade na finalidade de entrar em fluxo ativo no sistemas envolvidos. O sujeito defronte essas infovias, essas interfaces comunicacionais e no ciberespaço, a ideia de eu-identidade-sujeito, PRECISA, mesmo em crise, tomar outras medidas para comportar as velocidades, as birfucações e dinamicidades, a profusão e interatividade exigida.
Portanto, ao construir um AVATAR, o sujeito fragmenta e virtualiza sua identidade e esse processo entra em contato com outros avatares do mundo inteiro através do ciberespaço. E, nesse fluxo, os avatares são acessados por outros e, assim, comungam e constroem uma nova maneira relacional de troca de informações. Nesse conjunto global, o sujeito está em total conflito, enquanto suas virtualizações dialogam com outras avatares. Duplicar é o mínimo que acontece nesse processo. Por exemplo, nas redes sociais, um sujeito tem um profile no orkut, no facebook, no twitter, no hi5, no MSN, no YOUTUBE e em outros do seu conhecimento e acesso. Todos esses profiles são avatares de dimensões específicas, mas que dialogam fractualmente com parcelas desse sujeito e, as vezes, orquestrados por ele. Por que? Um outro avatar pode dialogar com o seu sem necessariamente haver sua presença nesse controle. Assim, cria-se uma relação de avatares com particulas mínimas dessa identidade em crise.
O sujeito (e sua identidade) procurou uma saída para esse processo amendrontador e, talvez, as novas tecnologias (informática e ciberespaço) poderiam ajudar nessa localização. No entanto, as respostas e as consensualidades são outras. O processo é invertido e totalmente fractual. Nasce, também, um ecossistema de micro-eus e só através dessa enunciação do sujeito que poderá ser capaz de romper as particularidades relacionadas ao embate e o ciberespaço.

Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramaturgo e diretor. 
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Artistas

Escrito por em dez 31, 2010 como Teatro Comentado | 0 comentários

Francis Madson
As novas tecnologias já são utilizadas em várias linguagens artísticas. As tecnologias são ferramentas úteis para (re)significação de linguagens. Também promovem uma colisão de geografias – materiais e imateriais – para composição de substrato híbrido. Produzem efeito multifacetado dentro das suas medidas e articulações. Portanto, neste post, vou produzir outro efeito sobre os processos das novas tecnologias na humanidade, principalmente daquelas produzidas pelo homem do final do século XIX e XX. Aproveitando o  post de Clayton Nobre falando sobre produção de imagem, disponho para conhecimento dos nossos leitores dois artístas contemporâneos imporantes.
Stelarc
 artista performático australiano cujas obras concentram-se fortemente no futurismo e na extensão das capacidades do corpo humano. Como tal, a maioria de suas peças estão centradas em torno do conceito de que o corpo humano é obsoleto.
Visite o  site oficial do artista e a matéria publicada pela BBC “Artista implanta orelha em braço e gera polêmica”

 

Stelarc: The Man with Three Ears

 
Orlan
artista francesa, nascida em 30 de maio de 1947, em Saint-Étienne, Loire. Vive e trabalha em Los Angeles, Nova York e Paris. Foi convidada para ser uma estudiosa em residência no Instituto de Pesquisa Getty em Los Angeles, para o ano lectivo 2006-2007.
Visite o site oficial da artista.

 

 French artist Orlan: ‘Narcissism is important’



São dois materiais importantes para termos imagens acústicas que possam nos dar subsídios para conhecer a produção desses visianários artistas.


2011!


Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramturgo e diretor.
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O corpo híbrido

Escrito por em dez 26, 2010 como Teatro Comentado | 0 comentários

Francis Madson
O corpo é o principal assunto em debate em algumas ciências, sejam elas a psicologia, a antropologia, a filosofia, sociologia e também as tecnologias. O corpo sagrado, mundano, cárcere da alma, explorado pela medicina pré-moderna e revisado, explorado, revirado pela moderna e suas novas tecnologias é prova irrefutavel do poder do corpo sobre a humanidade. Embora esses conceitos sejam amplos e produzam efeitos significativos sobre o corpo, são nas novas tecnologias do século XX e XXI que o corpo se coloca em estado terminal. Adeus ao Corpo de David Le Breton [1] expõe paulatinamente aspectos importantes que influênciaram e modificaram consideralmente os aspectos psquico-físicos desse corpo e criaram subsidios importantes para pensar o corpo híbrido do século XXI.
O corpo de Breton é colocado à medida dos seus contextos politicos, sociais e culturais. Bem, por si só, já nos permite abordagens significantes a partir das ciências mencionadas acima para promover algumas abordagens para envolver o corpo e, assim, dobrar e desdobrar os conceitos desse antropólogo sobre o corpo. Porém, coloco em questão para análise, a criação de ferramentas – tecnicas – ligadas ou não as interfaces da hipermídia que consolidam uma “ecologia de coodernação” das faculdades simples do corpo. Isso, naturalmente, perpassa pela construção do conceito do corpo moderno e pós-moderno. As emoções, os sentimentos, as doênças, os prazeres, os transtornos, o sono, a saúde e a alegria são determinadas por uma ordem de projeção do corpo sob uma industria farmacológica. Os remedios, os inibidores, os estimuladores sexuais, os diéteticos, os diureticos e antidepressivos são ferramentas tecnologicas – sintéticas e biossintéticas – desenvolvidas para obtençao do corpo ideal. No entanto, essa produção é possível através de infiltrações, possibilidades de invasão do corpo sem corte, ultrassonografias computarizadas e nucleares, raios-x e entre outros. A manipulação do corpo ultrapassa a relação entre interno-externo, ou seja, não existe mais essa relação binária sobre os caminhos. Aqui é mencionada apenas um aspecto sobre a manipulação do corpo.
Parece que o corpo está perene. Pode parecer assustador pertencer a unidades tão específicas de manipulação do corpo e não estamos falando das indústrias da imagem como cinema, editoriais de moda, televisao, sites e blogs que evidenciam um padrão de beleza e, isso, promove uma exrcusão, também, de um corpo idealizado. Porém, os abdicativos são mais significantes, porque viabilizam uma natureza de controle totalmente possível e, nessa condição, o corpo cartesiano, unidade total e concreta atualmente tem pouco índice de sobrevivência.
Há pesquisadores nos E.U.A, na Europa Ocidental e na Asia que já vislumbram uma pós-humanidade através de um pós–humano e bancos de dados. As condições que nos caracterizam poderiam ser gravadas em chips – HDs – uma especie de banco de dados formado de sílicio – para no futuro, ser introgenado em um novo corpo – agora – cheio de melhorias – talvez, um biociborgue. Metade carbono, metade silício. [2]
O corpo é reutilizado, revisitado, infectado, contaminado, destruído, construído, redefinido nas mais variantes possibilidades de contatos. Nessa conduta, na dinâmica desses fatores, o que se constroi é uma nova carne e, esse novo tecido, é extremamente hibrido, PORQUE não há mais como medir seus caminhos. Dentro, fora, aqui, lá, ser, nao ser, carbono e silício estão a cada dia imbricando de dialogismos e nossa própria noção de ser, de carne, de corpo e de humano se perde, se acha, se torna híbrida. E, digo mais, se essa conduta de compreensão da carne, do conceito híbrido de corpo, não se tornar pauta de discussões em todos os círculos de conversas – cientificas ou não – poderemos perpassar por esse processo sem compreende-lo. Poucos artistas no Brasil, alguns estudiosos da semiotica, alguns cientistas e filosofos já fazem parte da porcentagem que discutem o conceito de corpo híbrido.
Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramturgo e diretor.
P.S. Feliz 2011. Uma década! No próximo post, colocarei a disposição videos de artístas que se utilizam de novas tecnologias para discussão das suas poéticas.

Notas de Rodapé:
[1] David Le Breton é antropólogo francês. É professor na Universidade de Marc Bloch de Estraburgo. É autor de Corpo e Sociedade e Adeus ao Corpo.
[2] Deixo, em anexo, o site http://www.extropy.org/proactionaryprinciple.htm> que nos ajuda a pensar sobre os conceitos à cerca do pós-humanismo. Há um Instituto de Pesquisa para investigaçao sobre o tema nos Estados Unidos. É um tema que já garante um manancial de informações para debate, mais a priori abordaremos o tema de forma superficial.
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Ciberespaço

Escrito por em dez 18, 2010 como Teatro Comentado | 1 comentário

Francis Madson
O ciberespaço “é o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores”. Pierre Levy, Cibercultura. 
O escritor Willian Gibson, norte americano, escritor do Romance de ficção científica Neuromance, em 1984, foi o primeiro a empregar a palavra ciberespaço para designar um universo banhando pelas informações e redes de comunicação.
Temos autores da importância de Pierre Levy [1], Diana Domingues [2] e Lucia Santaella [3], discurtindo largamente o tema. Apesar dos estudos científicos, filosóficos, sociológicos e culturais sobre ciberespaço, não há quem retire um extrato firme desse conceito. Por que essa imprecisão? Podemos discutir os inúmeros modos de comunicações e interações via ciberespaço. O simples acesso a um personal computer até informações políticas ligadas ao governo em Tóquio são possibilidades que o espaço virtual de troca de informações nos possibilita. Através dessas unidades codificadas e decodificadas em bits trocam-se informações de todas as partes do mundo. Não há mais fronteiras, impossibilidades e barreiras culturais. As linguagens, as culturas e as identidades são realocadas e codificadas através dos softwares e programas desenvolvidos pelos cientistas da computação. As diferenças são dizimadas pelo esperanto ocasionado por esses processos criados para comunicação no ciberespaço. O que isso pode ocasionar? Bem, poderia ser extremamente apocaliptico, como alguns autores expressam, mas digo que a medida dessa informação ainda está por vir.
Ao acessarmos o ciberespaço, criamos novas possibilidades de comunicação, de trocas de informações e  de perspectivas. Não é um viés unilateral, porque NÓS como participantes corroboramos ativamente para o processo de construção dessa ilhas de informações, nesse universo sem contorno que é o ciberespaço. E, ao mesmo tempo, o alimentamos com as informações através de recursos próprios. Nesse transito somos afetados também por outras ilhas de conteúdo “n” de dimensão, com “n” de conteúdo e “n” de informações. Pode-se dizer, também, que através do ciberespaço criam-se novas relaçoes humanas.
As trocas são tão fluidas e dinâmicas que criamos um hipercortex, hipercorpo, hipercultura, hiperpalco, hiperhumano, hiperlinguagem etc. Outrora, discurtiremos cada conceito. Talvez, poderemos falar sobre hipercorpo e hipercortex quando o assunto for O CORPO. Entretanto, os valores ou não valores impregnados dentro do ciberespaço enquando unidade de discurso para compreensão da comunicação travará uma nova ressignifação do ser humano e de todas as suas faculdades que só poderá ser medida nas cinco primeiras décadas do século XXI.
O ciberespaço é criado pelo próprio homem e, como todo objeto criado, o modificará. Mas como analisar esse universo poroso e sem medida? Quais são os critérios? Necessitaremos de uma ciberdemocracia para surfar nesse espaço? E as questoes éticas, politicas e econômicas? E as linguagens? E o corpo? E o tempo-espaço? 
Francis Madson é ator, performer,  artista de dança, dramturgo e diretor.
Notas de Rodapé:
[1] O filósofo Pierre Lévy é professor da Universidade de Paris VIII, Departamento de hipermídia. Publicou, entre outros, As tecnologias da Inteligência, 1990 e O que é Virtual?, 1995.
[2] Diana Domingues é doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP e pós-doutora pela ATI – Université Paris VIII. Atua como artista, é professora da Universidade de Caxias do Sul, pesquisadora Nível 1B CNPq e coordenadora do Grupo de Pesquisa Artecno no Laboratório de Pesquisa Novas Tecnologias nas Artes Visuais.
[3] Lucia Santaella é professora titular no programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC – SP. Doutora em Teória Literária pela PUC- SP e livre docente em Ciências da Comunicação pela USP. É presidente honorária da Federação Latino-Americana de Semiótica.
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